Journal

Terreiro Junsun recebe oficina de animação em stop motion

Construindo suas próprias histórias, as crianças se dividiam entre dirigir e animar

No último sábado,13, o Terreiro Junsun, localizado no Alto do Cabrito, recebeu a Òrun Àiyé: Oficina de Stop Motion, com as cineastas Cintia Maria e Jamile Coelho. Foram quase 30 crianças que, com os olhos atentos, aguardavam para apreender sobre a técnica que encanta pessoas de todas as idades. Esta é uma ação do Núcleo Baiano de Animação em Stop Motion através do edital Arte em Toda Parte III edição.
Oficina_Junsun2

Devido a animação e quantidade de crianças foi necessário dividir a atividade em duas turmas: uma seguiu acontecendo no local e a outra foi realizada no domingo, 14 de agosto, no Espaço Cultural Teatro É ao Quadrado, também no bairro do Alto do Cabrito.

Para Fábio de Santana, frequentador da casa e morador do bairro, quando existe a possibilidade de ações como a oficina acontecerem no terreiro, é de uma “importância significativa”, já que é, também, uma oportunidade dos jovens se auto reconhecerem nos personagens.

“Ainda há uma imagem negativa, principalmente aqui na comunidade por que outras religiões acabam demonizando as de matrizes africanas. Quando uma oficina dessa vem para um terreiro, quebra com paradigmas e estereótipos, mostrando que o terreiro é um espaço religioso, mas também de atividades culturais e está aberto para a comunidade. Isso tem uma importância primordial para os jovens que podem dialogar com essas tecnologias, ver como são feitas as animações e se sentirem representados através de exibições como a do curta “Òrun Àiyé: a Criação do Mundo” percebendo, também, as possibilidades que o cinema tem”, contou.

Oficina - Terreiro JunsunAs crianças foram divididas em duplas que se revezavam entre dirigir e animar para que pudessem ter contato com ambas as áreas. O pequeno Bruno Vasconcelos, de 11 anos, contou que quer se ator e espera poder, um dia, fazer filmes iguais aos que as cineastas mostraram durante a realização.  “Foi muito legal, eu pude aprender muito e espero que continue assim, que eu ainda faça muitos filmes. Sei que ainda falta muito para chegar lá na frente, mas só de ter começado hoje eu já adorei”, disse.

Já Vagner Jesus, 16 anos, youtuber e morador da comunidade, relatou que através de atividades como a oficina, é possível aprender sobre realidades que muitas vezes parecem distantes quando vistas pela TV. “Nessas atividades nós acabamos aprendendo coisas novas, chegam pra gente coisas diferentes que vemos na televisão e nos perguntamos como são feitos e se um dia conseguiríamos fazer igual. Por isso todos ficam encantados, já que não imaginávamos que fosse realizado daquela forma. Eu, que sou youtuber, estou com várias ideias do que posso levar para o meu canal, fazer uma animação e algo que ficaria diferente. Vou aproveitar muito tudo que aprendi aqui”, afirmou.

Segundo Cintia Maria, compartilhar sua vivência e conhecimento com os jovens é uma “sensação maravilhosa”.  “Agradeço a toda comunidade do terreiro que nos ajudaram no desenvolvimento da oficina e que nos receberam aqui. É uma sensação incrível perceber o quanto eles gostaram e como as inspiramos”.

Write A Comment