DESTAQUE - 01
Journal

Cineastas realizam oficinas gratuitas de animação em terreiros baianos

O projeto ‘Òrun Àiyé: Oficina de Animação em Stop Motion’ busca relacionar vivência, religiosidade e produção cinematográfica.

 

No mês de setembro, onde são festejados os Erês nas religiões de matrizes africanas, o Núcleo Baiano de Animação em Stop Motion, apoiado pelo Edital Arte em Toda Parte, realiza a segunda etapa do projeto Òrun Àiyé: Oficina de Animação em Stop Motion, que visa o empoderamento dos jovens de terreiro por meio da formação audiovisual, evidenciando as narrativas orais fundamentais para o Candomblé aliando-as com o poder de comunicação e de difusão linguística possível através do cinema.

Fazendo uso das novas tecnologias como ferramenta de enfrentamento do racismo e da intolerância religiosa, as cineastas Jamile Coelho e Cíntia Maria iniciam as atividades nesse sábado (03) no terreiro Ilê Axé Iboro Odé, em São Gonçalo do Retiro, segue para o Ilê Axé Omo Omin Tunde em Plataforma (10/09), encerra a etapa no Hunkpame Savalu Vodun Zo Kwe no Curuzu (18/09).

“Em um mundo tomado pela ódio, pela intolerância nós precisamos nos reconectar a nossa ancestralidade para seguir em frente. Lembro-me do Sankofa, o pássaro mitológico africano que caminha com para frente com a cabeça votada para trás, expressando a busca de sabedoria em aprender com o passado para entender o presente e moldar o futuro. A oficina Òrun Àiyé traz a novas tecnologias como ferramenta, porém é de fundamental importância alinharmos o cinema a força da tradição e da oralidade.” afirma Jamile Coelho.

Na ocasião também será exibido o filme “Òrun Àiyé: A Criação do Mundo” premiado recentemente no Festival Largo Film Awards, em Genebra, na Suíça. A atividade já foi realizada no Terreiro Manso Dandalungua Cocuazenza (Estrada Velha do Aeroporto), no Terreiro Junsun (Alto do Cabrito) e no Zoogodô Bogum Malê Rundó (Federação).  

Para Leonel Monteiro, presidente da Associação Brasileira de Preservação da Cultura Afro-Ameríndia (AFA), a realização das oficinas irá ajudar a fazer com que os jovens tenham uma visão mais ampla do ramo cinematográfico, o que ele avalia como “importante em uma sociedade que não oportuniza aos jovens momentos como esse”.

“As oficinas de stop motion irão contribuir enormemente para abrir os horizontes dos jovens, não só ligados diretamente aos terreiros de candomblé, mas a comunidade em seu entorno que frequenta esse espaço, buscando, dentre outras coisas, a oportunidade de crescimento. Além do que, uma das ferramentas utilizadas durante as aulas do projeto é o celular, algo que está na mão de toda juventude e que muitas vezes atrapalha, devido a prisão do mundo virtual. No entanto, a partir do momento que ele aprende a usar essa ferramenta para uma produção que pode vir a ser uma fonte de renda ou num caminho para o sucesso dentro de uma profissão,  é fantástico” , contou.

Ele completa explicando que os participantes, através dessa nova experiência,  podem desenvolver habilidades e potencialidades de invenção, de novas ideias e criação. “As oficinas levam em conta temas importantes como a nossa ancestralidade e identidade afro indígena brasileira, desta forma, a gente acaba reforçando o ser candomblecista e a importância da nossa religiosidade”, pontuou.

Aspecto que também é pensado pela cineasta Cintia Maria. Ela diz que o projeto surgiu como forma de agradecimento e reverência aos antepassados, e que este é um ponto que conta muito no momento da realização das oficinas.  “Depois que dirigi Òrun Àiyé, pensei em adaptar a narrativa oral ao audiovisual e, além disso, penso que o diálogo entre meios tecnológicos e espaços tradicionais é necessário.”

Programação

03/09 – Ilê Axé Iboro Odé (São Gonçalo do Retiro)                                                                                                                         10/09 – Ilê Axé Omo Omin Tunde (Plataforma/Parque São Bartolomeu)                                                                                   18/09 – Hunkpame Savalu Vodun Zo Kwe (Curuzu)